É preciso servir com Amor
Sexta, 26 de Setembro de 2008Uau, já faz um tempo que ninguém escreve por aqui. Hoje queria falar um pouco do Edson e compartilhar a enorme alegria que sinto ao olhar para ele hoje, um flash vem logo em minha mente e mostra uma foto dele um ano atrás, na rua, bêbado, desesperado sem espectativa nenhuma de vida. Hoje vejo um homem trabalhador, feliz com a nova vida e com muita força para fazer o melhor de si em seu emprego, com carteira assinada.
Essa rápida história do Edson não foi assim tão simples, o “roteiro” parece um pouco com aqueles filmes onde você já espera algumas coisas acontecerem e no fim, dar tudo certo, mas algo inesperado acontece. Depois de um ano fora da rua, empregado, pagando aluguel, Edson teve uma recaída, voltou a beber, teve coma alcoólico duas vezes e se viu denovo à beira da sargeta.
Agora me diz, se você passa-se um ano ajudando o Edson, visse ele dar a volta por cima e depois colocar tudo a perder, voltando a beber o você faria?
Acho que a resposta, vem com outra pergunta: “O que Jesus faria?”
É muito fácil julgar e olhar somente para o nosso esforço, mas Edson tinha a grande dor rejeição da família, além de ser alcoolatra, só quem tem essa doença sabe o quanto é difícil…
Não foi fácil ver o Edson, no seu quartinho alugado, todo sujo, desarrumado, quase se parecendo com o Edson que conheci na rua… parecia que eu estava fazendo a coisa “errada” em ir atrás dele para estender a mão (denovo) ao invés de “lavar as mãos”, conversei muito com ele que ouvia tudo em silêncio, mas ao final, emocionado ele disse: “Igor… eu vou falar só uma coisa para você… Que Deus te abençõe!”
No outro dia, todos no trabalho sabiam que ele havia parado no hospital, levou uma suspensão de 3 dias, mas graças a Deus que tocou o coração de várias pessoas, ele não foi mandado embora e segue agora, mais firme do nunca.
Edson voltou a ir à igreja, deixou sua casa mais arrumada do que nunca, e aprendeu de uma vez por todas, que não pode se deixar abater pela dor, seja qual for, pois assim, ele tira o foco da felicidade e coloca na tristeza, que só o leva para baixo.
Agora, Edson só segue para frente e para cima.
Agradeço à Priscila que salvou seu emprego, ao Thiago e a Luciane do Alegria de Rua que sempre estiveram ao lado do Edson junto comigo.
Bom, é sexta-feira, dia de atuação lá em Santo Amaro, vou ligar para o Edson e chamá-lo para viver mais um dia como voluntário.
É impossível conter a emoção, quando vejo o Edson, numa situação tão triste, vislumbrando uma luz no fim do túnel, e me desejando o bem… quero estender essa benção a todos os voluntários do Alegria de Rua.
Sorrisos,
Igor

